::: MÚSICA DE FUNDO   Sujiam - Budha Bar :::

ABRE COM: Interior de uma Tenda. É noite, e o rosto de Tracy, fracamente iluminado, é focalizado. Ela desperta, num susto, olhando desesperadamente para os lados. Ela coloca uma mão sobre o rosto, esticando-a para frente, em seguida, analisando-a. Tracy parece suja e desarrumada. Ela retira a cabeça da tenda, e não vê nenhum movimento, apenas uma fogueira já no fim e várias tendas idênticas a sua montadas ao redor do fogo.

TRACY (baixo, para si mesma) [Denise Richards]: Onde estou?

Tracy sai, tentando ser o mais silenciosa possível. Ao olhar para o chão, percebe a areia fina do deserto. Ela abraça-se, tentando proteger-se do frio. Tracy caminha para a periferia das tendas, mas pára ao avistar um menino a poucos metros de si. Ela olha apreensiva, esperando a reação do garoto. Ela ergue o dedo, levando-o à boca, em pedido de silêncio. O garoto parece assustado. Tracy começa a se mover.

GAROTO (gritando): Baba! Baba!

::: FADE OUT da Música :::

TRACY: Não, não. Não faça isso, por favor.

GAROTO (mais alto): BABA!

Várias pessoas começam a sair de suas tendas, após a gritaria.

HOMEM (gritando para Tracy): BASI!

As pessoas do local começam a discutir alto, quase gritando, em árabe. Tracy fica estática, sem entender nada. O Homem que gritou para Tracy, vai até ela, segurando-a fortemente pelo braço.

TRACY (se debatendo): O que você pensa que está fazendo?! Me solte! Isso é um absurdo!! (Ainda tentando se libertar) Sai! Me larga...

O Homem segue arrastando Tracy de volta a sua tenda. Enquanto é carregada, várias pessoas olham-na com repudio, outros com menosprezo.

TRACY: O que significa isso?!!

O Homem e Tracy chegam na frente da tenda, e Tracy é jogada dentro. O Homem segue até um grupo, discutindo com eles. Ele aponta a tenda, falando ainda mais alto. Um jovem abaixa a cabeça, como se assumindo a culpa.

CORTA PARA: Interior da Tenda. Tracy chora, encolhida na parede de trás da barraca. Ela olha apreensiva para a entrada, percebendo apenas os vultos do lado de fora. Seu rosto começa a ser focalizado.          FADE OUT

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::: MÚSICA DE FUNDO   El-Alim Allah - Amro Diab :::

ABRE COM: Grande Festa na Caravana em que Tracy está. É dia, e várias pessoas caminham entre as tendas do acampamento. A festa inclui muita bebida e dança. Algumas mulheres fazem uma espécie de dança do ventre, que são acompanhadas pelas garotas mais novas. Os homens se divertem, batendo palmas no ritmo da música, enquanto bebem um líquido grosso em grandes canecas ensebadas. A câmera passeia por todo local, até se afastar aos poucos da multidão, e chegar a um local mais afastado.

::: A Música é abaixada :::

CORTA PARA: Rosto de Tracy focalizado. Tracy está suando muito, e aparenta estar fazendo alguma força. A câmera afasta-se um pouco, e vemos que ela está diante de um pequeno tanque improvisado. Ela tenta esfregar uma roupa imunda, tendo muito trabalho. Ela pára, enxugando o suor em sua testa com o antebraço e volta a se concentrar na roupa. Ela olha para os lados, e vemos a grande imensidão do deserto. Tracy mira um pouco a festa que acontece, mas logo é interrompida por uma mulher gorda. Ela se assusta, a mulher arranca a roupa de suas mãos e começa a discutir com ela em árabe, mas Tracy não entende nada. A mulher tenta mostrar como lavar a roupa, gritando histericamente. Ela faz gestos para Tracy se afastar, mas esta fica apreensiva. A mulher grita com um homem, que pega Tracy e a leva para próximo da festa.

 ::: A Música é aumentada :::

CORTA PARA: Centro da Festa. Tracy olha toda a movimentação, mas não faz nada. Ela está sentada num pequeno banco de madeira, quando o mesmo menino que a denunciou se aproxima, trazendo algo para Tracy beber, que o faz com voracidade. Ao final, entrega o copo vazio para o garoto.

TRACY: Mu-Muito obrigada.

O garoto se assusta, e sai correndo. Tracy abaixa a cabeça, observando sua roupa surrada.

::: FADE OUT da Música :::

 

CENA: Escritório de Felicia Harshbrook. Felicia está sentada em sua poltrona, enquanto Jeff está numa cadeira em frente à mesa dela.

FELICIA [Sherilyn Fenn]: Como assim você não tem mais notícias de Whitney?!

JEFF [Jared Leto]: E-Eu ainda estou tentando entender, mas... é impossível. Ela sumiu! Desapareceu do mapa.

FELICIA: Como uma pessoa pode desaparecer de uma hora para outra?

JEFF: Bem, eu estava seguindo suas ordens.. consegui informações que Tracy tinha partido para o Marrocos. Mas isso foi há uma semana atrás.

FELICIA: E quando estava previsto seu retorno?

JEFF: Segundo minhas fontes na companhia aérea, ela deveria passar apenas três dias na África e voltar logo em seguida.

FELICIA: O que você quer dizer com isso?

JEFF: Só vejo duas opções.

FELICIA: E quais são?

JEFF: A primeira é considerá-la como desaparecida, o que não seria nada bom. Afinal, ela pode ter sido pega no Marrocos.

FELICIA: Realmente. Isso não seria nada bom... para ela.

JEFF: A segunda opção é pensar que ela continua a desempenhar seu trabalho.

FELICIA: Isso não seria bom para nós. E que tipo de trabalho demoraria uma semana? Além disso, ela não seria amadora o bastante a ficar tanto tempo em um mesmo local. O que fazemos depende, antes de tudo, de discrição.

JEFF: Srta. Harshbrook, já pensou na verdadeira possibilidade de Tracy ter sido pega em Marrocos?

Felicia permanece em silêncio.

JEFF: Ela responderia a leis islâmicas. Ela estaria em mau caminho.

FELICIA: Eu não pensei nessa situação, mas creio que Whitney pensaria em algo. Aliás, não deveríamos subestimá-la após tudo o que ela fez até aqui. Talvez ela esteja em um lugar no qual não queira ser achada. Tentarei obter mais informações sobre seu desaparecimento. Mandarei um de meus melhores homens.

Jeff encara Felicia, preocupado.

FELICIA (sorrindo): Não, seu tolo. O que o faz pensar ser um dos meus melhores? Não enviarei você.

JEFF: O que devo fazer, por enquanto?

FELICIA: Em primeiro lugar, temos de garantir que Tracy não está brincando conosco.

JEFF: E como faremos isso?

FELICIA: Não nós, Sr. Stevens; você. Eu soube que deve um café à Srta. Julia Whitney.

JEFF (surpreso): Co-Como v-você--

FELICIA: --Não importa. Você deve se encontrar com ela, e tirar o máximo de informações possíveis.

JEFF: Fa-Farei isso.

FELICIA: Seja o mais breve possível.

 

CENA: Interior do Apartamento de Tracy. O local está vazio, quando escutamos barulhos de chaves do lado de fora do apartamento. A porta é aberta, e Julia entra na sala. Ela joga sua bolsa no sofá, e corre até a mesinha com o telefone. A secretária eletrônica é focalizada, e vemos o número '0' no local de NOVAS MENSAGENS.

CORTA PARA: Rosto de Julia focalizado. Ela parece preocupada.

JULIA  [Rachel Skarsten]: Onde diabos Tracy se meteu?!

 

CENA: Escritório de Felicia Harshbrook. Felicia e Paolo estão sentados em um confortável sofá, num local mais reservado da sala. Felicia sorri.

PAOLO [Dominic Chianese]: Não entendo este seu sorriso.

FELICIA: Gosto quando posso provar meu ponto.

PAOLO: Como?

FELICIA: Eu sabia que havia algo por trás daquele jantar, Paolo. Só não esperava que você viesse atrás de mim após uma semana.

PAOLO: Tudo bem, Felicia. Não vamos fazer jogos.

FELICIA: Isso. Podemos ir direto ao ponto.

PAOLO: Soube no último mês de seu interesse pessoal em uma mulher. Aliás, não qualquer mulher: Whitney.

Felicia não apresenta nenhuma reação.

PAOLO: Além de pesquisas, soube também que mandou um de seus homens segui-la. Bem... recebi uma notícia ainda mais perturbadora. Está empregando a irmã dela?! Uma Whitney está trabalhando neste gabinete?

FELICIA: Receio que tudo o que você falou seja verdade.

PAOLO: Isto eu já sabia. Indagava quando você iria me contar seus feitos atuais; até quando iria esperar.

FELICIA: Não há nada de importante no que estou fazendo. Não senti a necessidade de ir até você, muito menos, trazê-lo aqui.

PAOLO: Como ousa dizer que não há nada demais nisso tudo?! Devo lembrar tudo o que aconteceu nos últimos meses, Felicia?!

Felicia move-se, inquieta no sofá, com a mudança de tom de Paolo.

PAOLO: As famílias do Leste vêm sido muito tolerantes com tudo o que você faz. Você ganhou mais do que prestígio entre nós: ganhou nossa confiança, e nossa vontade em ajudá-la.

FELICIA (branda): Eu sei, e sou muito grata por isso.

PAOLO: Mas não demonstra esta gratidão agora! Meses atrás, você não tinha nada! Largou tudo em Nova York para unir-se a Tony em Nova Orleans. Ele perdeu tudo, tudo. Você estava ao seu lado, mas não a culpamos de nada. Você teve a chance de se reerguer; voltou à promotoria do Estado de Nova York. Nós batalhamos e conseguimos tudo isso para você. E agora você nos trai dessa forma. Como pôde?

FELICIA: Eu não entendo o mal em investigar uma pessoa, e não considero isso de nenhuma forma como algum tipo de traição. Aliás, não admito que questionem minha lealdade.

PAOLO: Tracy Whitney é uma das poucas pessoas que podem ligá-la a nós. Ela provou ser mais inteligente que o encomendado. Você não acha isso motivo bastante para ficar com um pé atrás? Você realmente acredita que não tem nada a perder?! Pois você tem tudo, Felicia, tudo, me ouviu bem?

FELICIA: E-Eu não sei o que dizer, Paolo. Fazia uma investigação simples.

PAOLO: Pois pare-a, e já!

FELICIA: Pa-Parar?

PAOLO: Se você quiser continuar tendo o nosso apoio. E quanto a irmã mais nova... ela suspeita de algo?

FELICIA: Não, claro que não. Você realmente acha que eu seria tão estúpida de mantê-la nesse escritório se ela soubesse de algo? (Sarcástica) Mas diga-me o que fazer, pois vejo que a decisão é exclusivamente sua... Devo demiti-la?

PAOLO: Se eu estivesse em sua posição, eu o faria. Mas neste caso, minha querida,  a decisão é sua; não irei interferir nela.

 

CENA: Caravana no Deserto. Tracy está em um local isolado, em frente a um pequeno tonel. Ela retira um pequeno recipiente do tonel com água, e lava-se. Ela afasta um pouco a blusa, limpando seu busto. A roupa fica um pouco transparente. Ao virar-se, ela percebe que um homem a observa, assustando-se. Ela abraça-se, tentando se esconder.

TRACY: O que pensa que está fazendo?! Seu... seu.. pervertido!!

HOMEM (com sotaque britânico): Então você deve ser a famosa estrangeira.

O rosto de Tracy é focalizado, seus olhos parecem brilhar.

TRACY: Vo-Você fala inglês!! (Indo até o Homem) Meu Deus! Isso é...

HOMEM: Desconcertante.

Tracy não entende, mas o Homem aponta para a blusa de Tracy, que está entreaberta. Ela logo apressa-se em fechá-la, dando um sorriso amarelo.

CORTA PARA: Caravana. É final de tarde, e Tracy toma algo quente numa caneca, tendo o Homem ao seu lado.

TRACY: Em todo esse tempo, você não chegou a mencionar seu nome.

HOMEM: Ah... desculpe. Al-Ahmar, mas pode me chamar de Alan, como sou conhecido por meus amigos.

TRACY: Bem.. Alan, de onde você é?! Esse seu sotaque...

ALAN [Phillip Rhys]: Britânico. Nasci e fui criado entre várias caravanas no deserto do Saara mas, contra a vontade da minha família, acabei indo para Inglaterra terminar meus estudos. Estou em férias. Sorte sua ter me encontrado no Marrocos. De onde você é?

TRACY: E-Eu sou americana. (Abaixando a cabeça) É uma longa história, mas acabei vindo parar aqui e...

ALAN: Eles lhe trataram mal? Desculpe, mas... eu conheço todos aqui. Eles não o fazem por mal, mas é sua cultura. Não é raro eles encontrarem alguém perdido no deserto e incorporarem ao grupo. O começo é difícil; é preciso tempo para a aceitação.

TRACY: A questão é... que eu não quero ser aceita. Eu quero... eu preciso voltar para casa.

ALAN: Eu não posso garantir nada, mas talvez possa ajudá-la.

TRACY: Sé-sério?! Como você faria isso?

ALAN: Bem... a princípio tenho que convencê-los a deixá-la ir, o que não será tão fácil. O resto é mais simples. Estou voltando para a Europa, você poderia me acompanhar.

TRACY: Ser-seria algo realmente ótimo.

Uma mulher aparece, falando algo em árabe com Alan, que responde.

ALAN: Temos que ir agora... o jantar está pronto.

 

CENA: Sala de Arquivos do Gabinete de Felicia. Julia está trabalhando no computador, quando batem em sua porta, que é aberta em seguida. Jeff aparece.

JEFF: Estou atrapalhando?

JULIA: Não, não. Já acabei o que tinha para fazer.

JEFF (sorrindo): Ótimo. (Apontando para uma cadeira) Posso?

JULIA: Claro. O que o traz aqui? Veio cobrar nosso café?

JEFF: Na realidade, preciso de um favor seu.

Julia está olhando fixamente para a tela de seu computador, como se não tivesse ouvido Jeff.

JEFF: Julia? (Esperando um pouco) Julia?!

JULIA (como se despertando de um transe): Ahn!? Oi? Falou alguma coisa?

JEFF: Nossa.. parecia que você estava em outra dimensão. Aconteceu alguma coisa?

JULIA: Er.. Nada não.. é algo meio pessoal; não sei se você se interessaria.

JEFF: Não fale assim. Sou seu colega de trabalho, e é isso que os colegas fazem, não?... escutar os problemas uns dos outros.

JULIA (tentando sorrir): Não é nada demais.

JEFF: Você tem certeza? É algum problema na sua família? Sua mãe?

JULIA (abaixando a cabeça): Eu não tenho mais mãe. Ela faleceu há algum tempo.

JEFF: Poxa. Me desculpe, não quis--

JULIA: --Não, não. Você não teve a intenção.

JEFF: Bem... se você precisar de mim em alguma coisa, é só falar. Posso cobrar o famoso café... Talvez se sinta melhor ao sair um pouco.

JULIA: Claro. Podemos ir após o expediente?

JEFF: Nos encontramos no Café da esquina, então.

JULIA: Está marcado.

 

CENA: Caravana no Deserto. É noite, e Tracy e Alan estão sentados sobre um tapete próximo à fogueira. Algumas pessoas ainda comemoram, homens tocam uma espécie de violão e mulheres dançam.

TRACY (sorrindo): Nossa.. O pessoal aqui gosta mesmo de comemorar.

ALAN: Você deveria ver nossos casamentos. Algumas festas duram três dias.

TRACY: Uau. Tudo por um casamento?

ALAN: Somos uma comunidade pequena. O casamento tem, para nós, um significado único... a certeza da continuação de nossa cultura, nossas tradições. As festas são ainda maiores quando o casamento é interno, entre membros do próprio grupo.

TRACY: Foi difícil para você? Quero dizer... sair daqui, ir estudar na Europa?

ALAN: Muito complicado. Na verdade, não sou muito aceito até hoje pelos membros mais velhos do grupo. Eles me consideram um traidor, alguém que negou suas próprias raízes.

TRACY: E você realmente as negou?

ALAN: Não posso dizer que não, mas eu precisava sair daqui. Eu sabia, desde criança, que havia um mundo diferente lá fora, e que ele estava esperando por mim.

O menino delator de Tracy passa correndo próximo à fogueira.

ALAN (apontando o garotinho): Ele me lembra quando garoto.

TRACY: Sério? Por quê?

ALAN: Ele tem muita energia... não agüentará ficar muito tempo aqui.

TRACY: Ele me pareceu tão tímido. Aliás, eu acredito que ele estava com medo de mim.

ALAN: Não era medo. Ele estava curioso. Outros garotos não conseguiriam diferenciá-la de qualquer outra mulher da caravana, mas ele consegue. Ele a vê como o novo, o além desse mundinho.

Tracy começa a rir.

ALAN: O que foi?

TRACY: Nossa... eu não pensei dessa maneira. Mas você... nunca se interessou por ninguém daqui? Não pensa em voltar?

ALAN: Agora sou eu que devo rir. Depois de descobrir um outro mundo, eu só quero mais e mais... Não sei se você me entende.

TRACY (pensando): Entendo, sim... Infelizmente, entendo.

ALAN: Agora me diga. Como posso ajudá-la a sair daqui?

TRACY: V-Você faria isso?!

ALAN: Claro.

TRACY: Mas o que os outros irão dizer?!

ALAN: Eles não podem ser contrários a sua decisão. Além disso, eles não podem tratá-la como uma simples empregada por ter sido encontrada no deserto. Agora... uma coisa você não me esclareceu. Como realmente veio parar aqui?

TRACY (hesitante): E-Eu... eu.. não lembro.

ALAN: Como assim?!

TRACY: Podemos mudar de assunto? Isso realmente não me agrada.

O garoto passa próximo a Alan, e ele sai correndo atrás do menino.

 

CENA: Sala de Jeff Stevens. Jeff está sentado em sua cadeira, enquanto Felicia está em pé.

JEFF: Não deseja sentar, Srta. Harshrbook?

FELICIA: Prefiro permanecer em pé. Fale logo, Sr. Setevens, pois não tenho muito tempo.

JEFF: Acabei de falar com Julia.

FELICIA: Sobre?

JEFF: Sobre sua irmã, como você mesmo mandou.

FELICIA: Descobriu alguma coisa?

JEFF: Nada concreto, mas acho que Tracy está realmente desaparecida. Julia não chegou a me dizer nada, mas acredito que sua irmã não dá notícias há alguns dias, o que confirmaria nossas hipóteses. Temo pelo pior.

FELICIA: Bom trabalho, Jeff.

JEFF: E... você só tem isso para me dizer?

FELICIA: Não. Na verdade, quero que você pare de investigar Tracy Whitney.

JEFF: Co-Como?! Parar a investigação?!

FELICIA: Exato.

JEFF: Mas por quê?!

FELICIA: Acho que ela não é mais um problema para nós. E não quero você questionando minhas ordens.

JEFF: A senhora está certa disso?

FELICIA: Você realmente quer que eu responda a isso?

Jeff permanece em silêncio.

FELICIA: Foi o que eu imaginei. Agora volte ao seu trabalho. Temos muitos julgamentos nesse mês.

JEFF: Sim, senhora.

Felicia sai da sala de Jeff, e o rosto dele é focalizado. Ele parece incrédulo.

 

CENA: Carro Luxuoso parado numa espécie de píer. Ao fundo, vemos a Ilha de Manhattan. Outro carro, mais simples aproxima-se. Do carro simples vemos Kalil sair apressado.

CORTA PARA: Porta traseira do Carro Luxuoso. A porta é aberta, e alguém começa a sair do carro. Vemos PAOLO. Ele vai até Kalil, apertando sua mão.

PAOLO: Olá, Sr. Salih.

KALIL: Olá, ... Não sei seu nome, mas isso realmente não importa.

PAOLO: Realmente não importa.

KALIL (olhando para as mãos vazias de Paolo): Trouxe meu dinheiro?

PAOLO: Receberá seu dinheiro quando chegar a hora. Alguma notícia de Tracy Whitney?

KALIL: Nenhuma notícia concreta, mas acredito que esteja morta. Ou... há uma pequena chance dela ter sido vendida para alguma caravana no deserto.

PAOLO: Nenhuma das duas opções parece muito confortante para a Srta. Whitney.

KALIL: Definitivamente não queria estar em sua pele agora.

PAOLO: Diga-me. Em algum momento ela desconfiou que você era um impostor, ou melhor, ela desconfiou para quem você trabalhava?

KALIL: Acredito que foi informada de algum impostor por alguém, mas ela não sabia para quem eu trabalhava. Aliás, (sorrindo) nem eu sei.

PAOLO: Ela chegou a mencionar algum nome? Comentou a possibilidade de estar sendo perseguida?

KALIL: Não, em nenhum momento.

PAOLO: Perfeito.

Paolo levanta sua mão direita. De seu carro sai seu motorista carregando uma maleta, entregando-a para Paolo. Ele vai até o capô do carro de Kalil, abrindo-a.

KALIL: Acredito que esta não foi a quantia que combinamos.

PAOLO: Também acredito que perder Tracy Whitney não foi o acordo. Estou sendo bem generoso, é melhor você não estragar a oportunidade.

Kalil fecha a maleta, segurando-a firmemente.

KALIL (apertando a mão de Paolo): Foi bom fazer negócios com você.

PAOLO: Infelizmente, não posso dizer o mesmo.

Kalil entra em seu carro, disparando em seguida.

PAOLO (para seu motorista): Faça.

MOTORISTA (por um comunicador): Mate-o.

O rosto de Paolo é focalizado. Ele tem um leve sorriso na face.

 

LEGENDA: TANGER, MARROCOS

CENA: Ruas de Tanger. Alan é focalizado, enquanto caminha pelas ruas da cidade, que parece ser mais urbana e ocidental que Rabat.

ALAN: Tem certeza que está bem?

CORTA PARA: Rosto de Tracy focalizado. Ela está usando um hijab (véu) negro.

TRACY: Um pouco calorento, mas tudo bem.

ALAN: Desculpe submetê-la a isso, mas pelo que você me disse... está sem passaporte, documentos. Seria perigoso tentar atravessar a fronteira sem um véu.

TRACY: Preciso de um telefone, urgentemente.

CORTA PARA: Tracy ao telefone. A tela é dividida ao meio, entre Tracy e Conrad.

CONRAD [Giancarlo Esposito]: Alô?

TRACY: Co-Conrad?

CONRAD: Tracy?!! É você?!!!

TRACY: Sou eu, Conrad.

CONRAD: Como você está?! Meu Deus, não tenho notícias de você há dias... já supunha o pior.

TRACY: Conrad, muito aconteceu nessa semana. Não posso contar agora. Estou em Tanger, Marrocos com um amigo.

CONRAD: Me perdoe, Tracy... por tudo. Pelo Kalil--

TRACY: --Agora não é hora, Conrad. Preciso ser breve.

CONRAD: Onde você está mesmo? Tanger? Isso é no Norte do Marrocos, não?

TRACY: Isso.

CONRAD: Você precisa chegar a Cádiz, na Espanha. Pode fazer isso?

TRACY: P-Posso tentar. Meu amigo diz conhecer uma forma de atravessar o Estreito de Gilbratar sem sermos pegos pela polícia.

CONRAD: Ótimo. Ao chegar em Cádiz, procure por Ramón Gutierrez. Ele tem um pequeno escritório de advocacia. Ele saberá como proceder.

TRACY: Obrigada, Conrad. Espero estar logo de volta à América. Agora eu preciso ir. Não é seguro ficar aqui.

CORTA PARA: Escritório de Conrad Morgan. A linha fica muda. Conrad parece muito surpreso. Ele coloca lentamente o telefone no gancho.

 

LEGENDA: CÁDIZ, ESPANHA.

CORTA PARA: Grande Hangar. Tracy veste roupas normais, acompanhada de Alan e outro homem de meia-idade, Ramón. Ao fundo vemos um grande avião cargueiro.

RAMÓN: Tenemos que ir ahora.

Tracy vira-se para Alan, abraçando-o em seguida. Ele parece surpreso, mas abraça-a também.

TRACY: Obrigada por tudo. Tudo mesmo.

ALAN: Não há de quê.

TRACY: Você foi a melhor coisa que eu pude encontrar numa hora como aquela.

Eles param de se abraçar.

ALAN: Assim você me deixa encabulado.

TRACY: Acho que isso é um adeus.

ALAN: Não precisa ser um adeus. Sinta-se livre para me procurar quando voltar à Europa, ou melhor, quando estiver em Londres.

TRACY: Não sei se isto acontecerá tão cedo. As viagens internacionais não parecem mais tão atrativas para mim.

ALAN: Aguardarei mesmo assim.

RAMÓN: Vamos!!

TRACY: Adeus, Alan.

Alan levanta o braço, num aceno, mas não diz nada. Tracy é levada por Ramón até o avião.

RAMÓN: Ao chegar em Nova York, siga as instruções deste homem. Mande lembranças a Morgan.

TRACY: Claro, e obrigada por isso.

Tracy começa a subir no avião, mas olha para trás, dando um último aceno a Alan, e desaparece dentro do cargueiro, em seguida.

 

::: MÚSICA DE FUNDO   Life is a Highway - Tom Cochrane :::

CENA: A Ilha de Manhattan é filmada, com seus grandes arranha-céus: como os Edifícios Chrysler e Empire State, além do World Trade Center.

 ::: A Música é aumentada :::

CORTA PARA: Escritório de Conrad Morgan. Conrad está em pé, parecendo nervoso, quando a porta de sua sala é aberta e Tracy entra. Ele vai rapidamente até ela, segurando seus ombros e abraçando-a em seguida. Tracy fica um pouco desconcertada.

CONRAD: Tracy... nossa! Você não imagina as coisas que eu pensei que poderiam ter acontecido. Deve estar cansada, não quer sentar? Talvez alguma coisa para beber... Comeu na viagem?

TRACY: Estou bem, Conrad.

CONRAD: Tem certeza? Parece abatida.

TARCY (tentando sorrir): Foram dias realmente difíceis, mas fui bem tratada durante a viagem.

 

CENA: Café. Jeff e Julia estão sentados em uma pequena mesa.

JEFF: Estou tentando animá-la, mas parece que algo ainda a incomoda.

JULIA: Estou apenas preocupada; é só isso.

JEFF: O que está acontecendo? Talvez seria melhor se você desabafasse.

JULIA: É... é minha irmã. Estou há algum tempo sem notícias dela.

JEFF: Como assim?

JULIA: Ela viajou a negócios, mas deveria ter voltado há alguns dias, mas nada.. nem ao menos um recado na secretária eletrônica.

JEFF: Não deve se preocupar, vai ver não foi nada. Ela esqueceu mesmo de ligar.

JULIA: A Tracy não é disso... ela sempre foi responsável e metódica. Simplesmente, não é típico dela.

A mão de Julia está sobre a mesinha, e Jeff coloca a sua sobre a dela.

JEFF: Há algo que eu posso fazer por você?

Jeff encara-a, sorrindo. Ela retribui o sorriso.

::: FADE OUT da Música :::

 

CENA: Escritório de Conrad. Tracy senta-se num sofá, sendo seguida de Conrad que senta numa poltrona.

CONRAD: O que aconteceu?! Por que passou tanto tempo sem se comunicar?

TRACY: É uma longa história...

CONRAD: O homem com que você estava realmente era um impostor?

TRACY: Não posso ter certeza, mas acredito que sim.

CONRAD: Mas aonde você estava esse tempo todo?

TRACY: No deserto.

CONRAD: No Saara?! Mas.. co-como você sobreviveu?

TRACY: Aparentemente eu fui encontrada por uma caravana do deserto, que me abrigou. Eu estava sendo tratada praticamente... (balançando a cabeça) como uma empregada.

CONRAD: E como foi parar lá?

TRACY: Eu simplesmente... não lembro. Recordo ter fugido do Kalil.. aliás, do homem que fingia ser ele. Eu corri para dentro da feira pública. Muita coisa aconteceu mas, de repente, fui puxada por alguém. Após isso, só lembro de ter acordado em uma tenda no meio do deserto.

CONRAD: Tracy... e-eu ainda não sei o que dizer. Não sei como poderei fazê-la me desculpar por.. tudo o que aconteceu. Muito é culpa minha: ter enviado você para aquele lugar, fazê-la ficar nas mãos de um impostor.

TRACY: Eu não preciso de suas desculpas, Conrad. Não havia como você prever que tudo isso aconteceria.

CONRAD: Mas algo me deixou realmente intrigado...

TRACY: O quê?

CONRAD: Quais eram as verdadeiras intenções desse impostor?

TRACY: Como assim?

CONRAD: Ele deveria estar atrás da mesma coisa que você, mas não estava contra você... ele não fez nada para prejudicá-la. Pelo menos, até o ponto em que liguei para você.

TRACY: Isso é verdade.

CONRAD: O mais interessante, no momento, seria saber para quem ele estava trabalhando. Esta pessoa pode estar atrás de você.

Tracy fica pensativa.

CONRAD: Tem idéia de quem poderia ser?

TRACY: Como? Nã-Não.. Não tenho a mínima idéia.

CONRAD: O que posso fazê-la para compensá-la por tudo que sofreu?

TRACY: E-Eu não sei, Conrad. Mas quero que prometa nunca mais me mandar para aquele lugar; nunca mais me mandar para fora do país.

CONRAD: Eu não a submeteria a isso, Tracy. Não se preocupe.

TRACY: Meu Deus!!

CONRAD: O que foi?

TRACY: Nesse caos todo, esqueci de ligar para minha irmã! Ela deve estar louca, sem minhas notícias... Eu preciso falar com ela já.

Tracy levanta-se abruptamente do sofá.

CONRAD: Espere!

TRACY: Co-Como assim? Preciso voltar para casa.

CONRAD: Esqueci de mencionar que consegui recuperar seus documentos no hotel, mas eles ainda estão vindo do Marrocos para cá. Devem chegar agora a noite, mas terá que ficar aqui por enquanto. Se for parada na rua sem os documentos, poderá se complicar.

TRACY: O que devo fazer até lá?

CONRAD: Sinto dizer, mas... esperar.

TRACY: Po-Posso usar o telefone, então?

CONRAD: Claro. Fique à vontade. Estarei na recepção por enquanto.

::: MÚSICA DE FUNDO   Your Mistake - Sister Hazel :::

Conrad retira-se da sala, enquanto Tracy vai até o telefone, discando um número.

TRACY (em off): Você ligou para Tracy Whitney. No momento não posso atender, deixe seu recado após o sinal. *BIP*

TRACY: A-Alô, Julia? Sou eu.. Tracy. Desculpe por não ter ligado antes, mas... muita coisa aconteceu no México. Ficamos isolados numa cidadezinha...

CORTA PARA: Sala do Apartamento de Tracy. A secretária eletrônica é focalizada. A luz, que indica gravação, está piscando.

TRACY (em off): Foi um período difícil... achei que não conseguiria voltar. Nunca fiquei tão feliz em voltar pra casa. Devo estar chegando em Nova York hoje à noite. Espero encontrá-la em casa... Acho que isso é tudo. Tchau.

Escutamos outro 'BIP' e o local que indica NOVAS MENSAGENS marca o número '1'. Neste momento, escutamos chaves na porta, que é aberta em seguida. Jeff e Julia entram cambaleando no apartamento. Eles se beijam ardentemente. Julia fecha a porta com os pés. Eles não param de beijar nem por um momento, seguindo para um dos quartos.          FADE OUT

::: A Música é aumentada, e corta para os Créditos com ela  :::

 
#116 Missed

:::STARRING:::
Denise Richards as Tracy Whitney
Giancarlo Esposito as Conrad Morgan
Rachel Skarsten as Julia Whitney
Jared Leto as Jeff Stevens
Sherilyn Fenn as Felicia Harshbrook

:::GUEST STARRING:::
Dominic Chianese as Paolo
Phillip Rhys as Al-Ahmar
Donnie Keshawarz as Kalil Salih

:::CASTING BY:::
Arino Oliveira
Thiago Pavarino

:::WRITTEN AND DIRECTED BY:::
Arino Oliveira

:::EXECUTIVE PRODUCERS:::
Arino Oliveira
Bruno Boghossian

:::PRODUCED BY:::
Series Online Studios

:::ART DIRECTOR:::
Arino Oliveira

:::THEME SONG:::
 Ready Steady Go - Paul Oakenfold

:::SOUNDTRACK:::
Bujiam - Budha Bar
El-Alim Allah - Amro Diab
Life is a Highway - Tom Cochrane
Your Mistake - Sister Hazel

BASED ON THE NOVEL
'If Tomorrow Comes'
BY SIDNEY SHELDON

:::SPECIAL THANKS TO:::
Durval Rochal
Suzana Ferreira

:::DISTRIBUTED BY:::
TVSN

www.alibionline.kit.net